terça-feira, 27 de janeiro de 2009

24/01/09

24/01/09



Não, não pertenço a nada.
Não estive em lugar algum
Sou antes a ânsia de nunca ter tido
Um porto com cais e ancora
Porque aqui não habitam Naus
E não há rios do tamanho do oceano
Nem nada que flutue comigo
Porque sou muito pesado
Por que levo o peso do mundo há minhas costas
E enquanto aqui estiver
Algo sempre me puxará para o chão
Como uma fruta saborosa
A qual ninguém nunca provou
Há qual o tempo fez-se envelhecer
E a gravidade a suga para a realidade

Somos bactérias comendo bactérias
Somos evoluídos? Talvez!
Mas em que sentido?
E se eu estivesse a procurar um cais
Sinto que ele estaria sempre no horizonte
Na eterna linha do horizonte
Por que a gravidade me suga para a realidade
E se a realidade não for como para cada um ela se apresenta como seria?

Não, não pertenço a nada.
Não estive em lugar algum
Porque a memória dos meus dias se apagará
E eu
Estarei para o mundo
Come ele (o mundo) está para o irreal...

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Anônimo e o que sei mais...

Passei pela vida sem nenhum Alardi
não tive meu nome gritado pelas massas
nem venderam camisas com meu rosto
nenhuma homenagem, nenhum sacrifício
e me dou por satisfeito.

estive em lugares, ninguém se lembra
fiz coisas que até mesmo esqueci
e da magoa dos meus dias inertis ficam estes versos
putrefados, nefastos e sombrios

me dou por satisfeito
pois permaneci enquanto estive
me dou por satisfeito
pois estive e sonhei permanecer
embora não haja possibilidade.

dançei a dança dos loucos
e a valsa dos desesperados
e estive alheio ao lado negativo da vida
pois a glorifiquei
Passei pela vida sem nenhum Alardi
mas a glorifiquei.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

estou sentado na cadeira
trancado entre quatro paredes
e um teto que me impede de voar
para baixo, do chão não posso passar
só minha mente pode me levar a algum lugar

porque tudo o que vejo me provaram ser ilusão
só imagens retorçidas, distorçidas
copias imperfeitas do mundo intelgível
com minhas senções determinando o que é real
mesmo quando me provam que do sencível não existe realidade!

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

O caminho da porta

Se quiser ser feliz
Se verdadeiramente desejas encontrar paz de espírito
Esquece-te da religião e da ciência
Concentra tua vida no presente
E renegue qualquer possibilidade de transcendência
Porque na religião você vai procurar Deus
Mas ele não vai estar lá
E não poderá ser feliz na ciência
Porque eternamente estará se reformulando
E nem mesmo a ciência pode dizer o que é a verdade

A religião é um labirinto sem paredes
E a ciência um labirinto sem chão
Talvez por terem sido desenvolvidas pelos homens
Da forma que foram desenvolvidas
Para min, atingiram alto grau de abstração.

Mas eu não quero ser feliz
Não posso ser feliz
Porque sou parte de tudo
E tudo está em decadência
E mesmo que não queira vou junto com tudo
Pois sei, sou parte do absoluto.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

sou o próprio fogo

Mas o que é a resistência se não morrer pelos ideais?
Sentir o gosto amargo e já experimentado, e uma sensação de que tudo é sonho e de que realmente fazemos parte de tudo.

Com os sentidos a entorpecer meu corpo, por estarem aguçados ao extremo, como se uma orquestra toca-se uma linda canção, sinto o bafo quente da loucura tocar meu corpo e provocar-me a sensação de que estou no inferno.

Com meu corpo ardente em chamas
Sento minha carne decompor-se em miséria
Respiro, e o ar que chega a meu pulmão é como se fossem lâminas de fogo, rajadas telepáticas do inconcebível.

O fogo transcende meu corpo
Sinto tocar minha essência de forma diferente
Vem gelado de encontro a minha Psyqué
E sinto que meu corpo esta dormente
Mas este já não me interessa
Porque o fogo queima tudo
E os que observam não vêem cinzas nem fumaça
Porque agora já sou o próprio fogo

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Sonhando em meio ao pesadelo

O remoço é como se tivesse ingerido uma dose de veneno
Um embrulho no estomago, essa ânsia de vomitar.
O veneno come a carne e o remoço vai de encontro aos sentimentos
Fazendo-os contorcerem-se como germes à beira da morte
E as dores desses sentimentos fazem aflorar antigos demônios que se julgavam mortos.
Mortos pela embriaguez do dia.
Hoje um antigo demônio veio me visitar em forma de sonho, ou pesadelo.
Fez-me parecer idiota, pois me causou remoço.
E eu não deveria sentir-me assim
Talvez tenha absorvido sentimentos alheio
De um demônio passageiro
De uma vida passageira
Não vejo lógica nisso tudo, porque o remoço não é meu.
Mas o fato é esse
E eu com essa velha mania de contestar os fatos
Talvez seja isso que me cause remoço...

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Espelho

Eu sou o cara magro que passa do
Outro lado da esquina
Que anda desengonçado e corcunda
Que olha às vezes para frente mais
Quase sempre para o chão
Sou aquele sentimento de sempre achar
Que a vida podia dar algo a mais por min,
Por acreditar que tem muito a oferecê-la
Sou sempre o que podia ser aquilo e nunca isso!

Esse sou eu
E tudo que disseram de min
Coisas que eu nem tenho idéia do que seja

Talvez também façam parte de min
Os sentimentos que todos têm e fingem não ter.
Angústia, inveja e soberba.
Aquilo que é ele mesmo, Physis.
E a Arché de tudo isso?
Talvez que seja eu mesmo
O cara magro da esquina
Corcunda, solitário e vazio.